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  Julho bate marca dos R$ 100 milhões




    Publicado em 17/8/2009 – Boletim Filme B 613

   por Fernando Verissimo


Em um ano que vem surpreendendo com ótimos números de bilheteria, o mês de julho, não decepcionou. Impulsionado pelos excelentes resultados dos blockbusters das férias, o mercado bateu pela segunda vez, na série histórica, a marca de R$ 100 milhões de arrecadação em um único mês. Na verdade, o resultado foi ainda mais marcante: com arrecadação total de R$ 143 milhões, julho de 2009 foi o mês que teve a melhor renda nas últimas décadas.

Em relação a julho de 2008, o crescimento da renda foi de 55%; em público, a alta foi de 41%, com 16,9 milhões de ingressos vendidos. No ano, o mercado acumula altas de 33% de público (72,3 milhões de espectadores) e 39% em renda (que chega a R$ 617,5 milhões).

Dois filmes respondem por 70% da bilheteria do mês

O fenômeno A era do gelo 3 arrecadou nada menos que R$ 68,5 milhões no mês de julho, batendo 7,8 milhões de ingressos vendidos no período. Harry Potter e o enigma do príncipe, por sua vez, conseguiu superar a marca dos quatro milhões de ingressos em um curto intervalo de tempo, provando mais uma vez a força da franquia da Warner. Juntos, os dois filmes foram responsáveis por mais de 70% de toda a renda de julho.

A força dos blockbusters elevou o público acumulado dos dez filmes mais vistos do ano para 36 milhões de espectadores, um aumento de 63,5% em relação aos números de 2008. Isso empurrou o market share dos dez mais para quase 50% – o que indica um mercado concentrado ao longo dos sete primeiros meses de 2009. Em geral, esse índice tende a sofrer quedas até o fim do ano, fechando entre 35% e 40%.

3D foi fator decisivo para alta da renda

Outro fator decisivo para a alta foi a exibição de A era do gelo 3 em 3D. Lançado em circuito de apenas 70 salas equipadas com projeção digital 3D, a animação arrecadou R$ 22,7 milhões com as exibições no novo formato durante as cinco semanas cinematográficas de julho. Ou seja: cerca de um terço da renda total do filme veio de um número reduzido (menos que 10%) do circuito que o exibiu. O reflexo direto dos efeitos do 3D podem ser sentidos no preço médio do ingresso em julho, que teve um aumento de quase 10% em relação ao mesmo período de 2008.

Exibidores que apostaram no novo formato colheram os resultados durante as férias. A Cinematográfica Araújo, um dos grupos nacionais que mais investiram na implantação do formato no país, em complexos do interior como Piracicaba e Taboão da Serra, viu sua renda crescer em 83% em relação a julho do ano passado, com um aumento de público de 27%. Com salas na região Sul, o grupo Cinesystem também teve resultados superlativos nas salas 3D de Florianópolis e São José dos Campos. Em algumas salas, a média de público superou mil espectadores diários.

As primeiras semanas de agosto indicam que o mercado deve enfrentar ainda muitos desafios para manter os bons resultados até o fim de 2009. O principal deles no momento é o avanço da gripe suína, que chegou a provocar o fechamento de alguns cinemas no país, e parece ter afetado o período de entressafra, causando queda significativa na frequência das salas.


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